Dia Mundial da Osteoporose: como cuidar da saúde dos ossos em cada fase da vida
4 min de leitura

A osteoporose costuma ser chamada de doença silenciosa por um motivo simples: ela não dói até que um osso se quebre. Muitas pessoas só descobrem o problema depois de uma fratura no punho, no quadril ou na coluna, às vezes causada por uma queda banal da própria altura. O Dia Mundial da Osteoporose, lembrado em 20 de outubro, chama atenção justamente para o que pode ser feito antes disso. E a prevenção da osteoporose começa muito mais cedo do que se imagina, ainda na infância e na juventude.
O que acontece com os ossos na osteoporose#
O osso é um tecido vivo, que passa a vida sendo desmontado e reconstruído. Na infância e na adolescência, a construção supera a perda, e o esqueleto ganha massa e resistência. Esse acúmulo atinge o ponto máximo, chamado pico de massa óssea, no início da vida adulta. A partir daí, a balança se inverte lentamente, e a perda passa a superar a reposição.
Na osteoporose, essa perda é mais intensa do que o esperado, e a estrutura interna do osso fica porosa e frágil. O resultado é um esqueleto que se quebra com impactos que, em outras condições, não causariam fratura. As fraturas de quadril nos idosos são as mais temidas, porque costumam exigir cirurgia e comprometer a independência.
Quem tem mais risco#
Qualquer pessoa pode desenvolver osteoporose, mas alguns fatores aumentam a probabilidade:
- Ser mulher, principalmente após a menopausa, quando a queda do estrogênio acelera a perda óssea.
- Idade avançada, em ambos os sexos.
- Histórico de fratura de quadril nos pais.
- Baixo peso corporal.
- Tabagismo e consumo frequente de bebidas alcoólicas.
- Uso prolongado de corticoides e de alguns outros medicamentos.
- Doenças como artrite reumatoide, alterações da tireoide e condições que prejudicam a absorção de nutrientes.
- Vida sedentária.
Ter um ou mais desses fatores não significa que a doença vai aparecer, mas indica que o assunto deve entrar na conversa com o médico.
Cuidados em cada fase da vida#
Infância e adolescência são a época de construir o estoque. Alimentação com fontes de cálcio, como leite, iogurte, queijos e alguns vegetais verde-escuros, exposição moderada ao sol e brincadeiras e esportes com impacto, como correr e pular, ajudam a formar ossos mais densos. Quanto maior o pico de massa óssea, maior a reserva para as décadas seguintes.
Na vida adulta, o objetivo é preservar. Manter atividade física regular, com exercícios de força e de impacto adequados ao condicionamento, não fumar, moderar o álcool e manter uma dieta equilibrada continuam sendo a base. Dietas muito restritivas, sem acompanhamento, podem reduzir a ingestão de cálcio e proteínas.
Na menopausa e no envelhecimento, a atenção aumenta. Além dos hábitos anteriores, entram em cena a avaliação do risco, eventuais exames e a prevenção de quedas, que reduz diretamente as fraturas:
- Retirar tapetes soltos e fios do caminho.
- Instalar barras de apoio no banheiro e boa iluminação nos corredores.
- Usar calçados firmes e fechados.
- Revisar com o médico remédios que causam tontura ou sonolência.
- Manter exercícios de equilíbrio e fortalecimento muscular.
O papel do cálcio e da vitamina D#
O cálcio é o principal mineral do osso, e a vitamina D ajuda o intestino a absorvê-lo. A maior parte da vitamina D é produzida na pele com a exposição ao sol, o que explica por que idosos que saem pouco de casa costumam ter níveis baixos. A alimentação deve ser a primeira fonte de cálcio. Suplementos de cálcio ou de vitamina D só devem ser usados com orientação profissional, na dose indicada, porque o excesso também traz riscos.
Quando fazer a densitometria#
A densitometria óssea é o exame que mede a densidade mineral dos ossos, geralmente na coluna lombar e no quadril. É rápido, indolor e usa uma dose baixa de radiação. As recomendações mais difundidas indicam o exame para mulheres a partir dos 65 anos e para homens a partir dos 70, e mais cedo para quem tem fatores de risco, como menopausa precoce, uso prolongado de corticoides ou fratura após trauma leve.
O resultado é interpretado pelo médico junto com a idade, o histórico e outros fatores. Em alguns casos, ferramentas que estimam o risco de fratura nos próximos anos ajudam a decidir se é hora de iniciar tratamento, que atualmente conta com diferentes opções de medicamentos.
Perguntas do dia a dia#
Homens também têm osteoporose? Sim. A doença é mais comum em mulheres, mas homens idosos também perdem massa óssea e podem sofrer fraturas, e costumam ser menos investigados.
Tomar leite todos os dias impede a osteoporose? O cálcio ajuda, mas sozinho não garante a prevenção. Atividade física, vitamina D, ausência de tabagismo e cuidado com o álcool também fazem parte do conjunto.
Caminhar é suficiente para fortalecer os ossos? A caminhada ajuda, mas exercícios de força e de equilíbrio acrescentam benefícios importantes, inclusive na prevenção de quedas. O ideal é combinar atividades com orientação de um profissional.
Última revisão: 2026. Clinica Boechat.