Dia Mundial do AVC: como reconhecer os sinais e agir rápido para pedir socorro

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Médico anotando informações durante consulta com paciente

Um sorriso que sai torto, um braço que não obedece, uma frase que não sai inteira. Os sinais de um acidente vascular cerebral podem durar segundos ou se instalar de vez, e quem está ao lado muitas vezes demora a entender o que está acontecendo. No Dia Mundial do AVC, lembrado em 29 de outubro, a mensagem principal é simples: reconhecer rápido e chamar socorro imediatamente pode mudar o desfecho. O tempo entre os primeiros sintomas e a chegada ao hospital é um dos fatores que mais pesam na recuperação.

O que é o AVC#

O cérebro depende de um fluxo contínuo de sangue para receber oxigênio. O AVC acontece quando esse fluxo é interrompido em alguma região. Há dois tipos principais:

  • AVC isquêmico, o mais comum, causado pela obstrução de um vaso por um coágulo ou por placas de gordura.
  • AVC hemorrágico, causado pelo rompimento de um vaso e sangramento dentro ou ao redor do cérebro.

Há ainda o ataque isquêmico transitório, em que os sintomas aparecem e desaparecem em pouco tempo. Ele não deve ser ignorado: funciona como um aviso de que um AVC maior pode ocorrer e exige avaliação no mesmo dia.

Os sinais de AVC que todos deveriam conhecer#

Os sintomas surgem de repente. Os mais característicos são:

  1. Boca torta ou assimetria no rosto ao sorrir.
  2. Fraqueza, dormência ou perda de força em um braço, uma perna ou um lado do corpo.
  3. Fala enrolada, dificuldade para encontrar palavras ou para entender o que os outros dizem.
  4. Perda súbita de visão em um ou nos dois olhos, ou visão dupla.
  5. Tontura intensa, perda de equilíbrio ou dificuldade para andar.
  6. Dor de cabeça súbita e muito forte, diferente das habituais, especialmente no AVC hemorrágico.

Para facilitar a memorização, campanhas no Brasil usam a palavra SAMU como roteiro. Peça para a pessoa sorrir e observe se a boca entorta. Peça para abraçar, erguendo os dois braços, e veja se um deles cai. Peça para cantar ou repetir uma frase simples e perceba se a fala sai alterada. Diante de qualquer alteração, é urgente: ligue 192.

Por que cada minuto conta#

Enquanto o fluxo de sangue está interrompido, células do cérebro morrem a cada minuto. No AVC isquêmico, existem tratamentos capazes de dissolver ou retirar o coágulo e restabelecer a circulação, mas eles só funcionam dentro de uma janela de algumas horas a partir do início dos sintomas. Quanto antes o paciente chega a um hospital preparado, mais opções de tratamento estão disponíveis e maiores as chances de reduzir sequelas.

Por isso, algumas atitudes fazem diferença:

  • Anote ou memorize o horário em que os sintomas começaram, ou a última vez que a pessoa foi vista bem. A equipe médica vai perguntar.
  • Chame o SAMU em vez de esperar os sintomas passarem.
  • Não ofereça comida, água ou remédios, porque a deglutição pode estar comprometida.
  • Deixe a pessoa deitada de lado, se estiver sonolenta ou vomitando, e afrouxe roupas apertadas.
  • Separe a lista de medicamentos em uso, principalmente anticoagulantes.

Fatores de risco que podem ser controlados#

Idade, histórico familiar e AVC anterior são fatores que não se mudam. Uma parte importante do risco, porém, está ligada a condições que podem ser tratadas e hábitos que podem ser ajustados:

  • Pressão alta, o principal fator de risco, muitas vezes sem sintomas.
  • Diabetes e colesterol elevado.
  • Tabagismo.
  • Arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial.
  • Sedentarismo e excesso de peso, sobretudo na região abdominal.
  • Consumo excessivo de álcool.
  • Alimentação rica em sal e ultraprocessados.

Medir a pressão com regularidade, seguir o tratamento indicado para doenças crônicas, parar de fumar e manter atividade física são medidas que protegem o cérebro e o coração ao mesmo tempo. Consultas periódicas ajudam a identificar fatores silenciosos antes que causem dano.

Depois do AVC#

A recuperação começa ainda no hospital e continua com reabilitação, que pode envolver fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. O apoio da família e o controle rigoroso dos fatores de risco são essenciais para evitar um novo episódio.

Perguntas do dia a dia#

Jovens podem ter AVC? Sim. O risco aumenta com a idade, mas o AVC também ocorre em adultos jovens e até em crianças, por causas como alterações de coagulação, malformações de vasos e uso de drogas.

Se os sintomas passaram sozinhos, ainda preciso ir ao hospital? Sim. Sintomas que desaparecem podem indicar um ataque isquêmico transitório, que sinaliza alto risco de AVC nos dias seguintes e precisa de investigação imediata.

É melhor levar a pessoa de carro ou esperar o SAMU? O SAMU costuma ser a melhor opção, porque a equipe inicia o atendimento no caminho e sabe qual hospital está preparado para tratar AVC na região.

Última revisão: 2026. Clinica Boechat.