Zé Gotinha faz 40 anos: como um personagem ajudou a popularizar a vacinação
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Branco, redondo, sorridente e com formato de gota. Poucos personagens são tão reconhecidos pelos brasileiros de diferentes gerações quanto o Zé Gotinha. Ele nasceu em 1986, completando 40 anos em 2026, com uma missão bem definida: tornar mais atraentes para as crianças as campanhas de vacinação contra a poliomielite. Deu tão certo que o boneco se transformou no símbolo da imunização no país e continua presente em postos de saúde, escolas e campanhas de todas as vacinas.
A origem do personagem#
O Zé Gotinha foi criado pelo artista plástico Darlan Rosa a pedido do Ministério da Saúde. O desenho partiu de uma ideia simples: se a vacina contra a paralisia infantil era aplicada em gotas, o personagem seria uma gota. A proposta era substituir a imagem do medo da agulha e do choro por algo simpático, que as crianças associassem a um momento positivo.
O nome não veio pronto. Ele foi escolhido por meio de um concurso nacional com estudantes de escolas de todo o país, o que ajudou a criar vínculo com o público infantil desde o início. A partir daí, o personagem passou a estampar cartazes, comerciais de televisão, programas de rádio e materiais educativos das campanhas nacionais.
O contexto: as campanhas contra a poliomielite#
A poliomielite, também chamada de paralisia infantil, é uma doença causada por vírus que pode levar a paralisias permanentes, principalmente nas pernas, e até à morte. Nas décadas de 1960 e 1970, ela ainda deixava milhares de crianças com sequelas no mundo.
O Brasil criou o Programa Nacional de Imunizações em 1973 e, a partir de 1980, passou a organizar os dias nacionais de vacinação contra a pólio, em que milhões de crianças eram vacinadas no mesmo período em todo o território. A estratégia exigia mobilização em grande escala: postos montados em escolas, igrejas e praças, voluntários e uma comunicação capaz de chegar a todas as famílias, das capitais às áreas rurais.
É nesse cenário que o Zé Gotinha aparece. Ele deu rosto às campanhas e reforçou uma mensagem fácil de lembrar: criança vacinada é criança protegida. O último caso de poliomielite causada pelo vírus selvagem no Brasil foi registrado em 1989, e o continente americano foi certificado como livre da doença em 1994, resultado atribuído à vacinação em massa e à vigilância.
O papel da comunicação na adesão às vacinas#
A trajetória do personagem mostra como a comunicação pode ser decisiva para o sucesso de uma política de saúde. Alguns elementos explicam o impacto:
- Linguagem acessível: um personagem simpático fala com crianças e adultos ao mesmo tempo.
- Repetição e constância: a presença em todas as campanhas criou reconhecimento imediato.
- Associação positiva: a vacinação passou a ser vista como um evento, e não como um castigo.
- Participação: o concurso para escolher o nome envolveu as escolas desde o começo.
Com o tempo, o Zé Gotinha passou a ser usado também em campanhas contra sarampo, gripe e outras doenças. Ganhou fantasias em tamanho real, participou de eventos públicos e virou presença constante em datas de mobilização. Durante a pandemia de covid-19, voltou a aparecer com destaque na comunicação sobre vacinas.
Um símbolo diante de novos desafios#
Nos últimos anos, as coberturas vacinais no Brasil caíram em relação aos patamares históricos, por fatores como a falsa sensação de que certas doenças desapareceram, a desinformação e dificuldades de acesso. A reintrodução de doenças que estavam controladas, como aconteceu com o sarampo, mostrou que o trabalho de comunicação precisa ser permanente.
O próprio calendário mudou. O esquema de rotina contra a poliomielite passou a usar apenas a vacina injetável, e a tradicional gotinha deixou o calendário infantil. Mesmo assim, o personagem permanece como símbolo da imunização em geral.
Para as famílias, a lição do Zé Gotinha continua atual:
- Manter a caderneta de vacinação das crianças em dia.
- Levar a caderneta a cada consulta e campanha.
- Conferir também as vacinas dos adultos e idosos da casa.
- Buscar informação em fontes oficiais de saúde antes de compartilhar mensagens sobre vacinas.
Perguntas do dia a dia#
Quem criou o Zé Gotinha? O personagem foi criado em 1986 pelo artista plástico Darlan Rosa, a pedido do Ministério da Saúde, para as campanhas de vacinação contra a poliomielite.
Por que o personagem tem formato de gota? Porque, na época, a vacina contra a pólio era aplicada por via oral, em gotas. O formato ajudava a criança a associar o personagem ao momento da vacinação.
A poliomielite ainda existe? A doença foi eliminada das Américas, mas o vírus ainda circula em alguns países. Por isso a vacinação continua necessária para evitar sua reintrodução.
Última revisão: 2026. Clinica Boechat.